📣
O SEU ANÚNCIOPODERIA ESTAR AQUI!
SAIBA MAIS728 × 90
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Início Notícias Irmãs transformam pesquisa científica em vinícola que fatura com enoturismo em Morro do Chapéu

Irmãs transformam pesquisa científica em vinícola que fatura com enoturismo em Morro do Chapéu

by centralnoticia

Irmãs Laura Oliveira e Mayra Nunes fundaram a vinícola Santa Maria, na cidade de Morro do Chapéu (BA) — Foto: Denison Malheiros/Divulgação

A paixão pelo vinho nasceu quase por acaso, quando as duas irmãs Laura Oliveira e Mayra Nunes cederam parte do sítio da família para um estudo de viabilidade de plantio e colheita de uvas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Uma década depois, em 2020, o que era apenas um experimento científico virou negócio: a vinícola Santa Maria, na cidade de Morro do Chapéu, localizada na Chapada Diamantina (BA). Hoje, a empresa produz até sete mil garrafas por ano e se posiciona como destino de enoturismo, com eventos ao ar livre e visitas guiadas.

“Cedemos o espaço no sítio em 2009 para a Embrapa testar a viabilidade do plantio de uvas viníferas na região, pois os pesquisadores tinham visto uma semelhança no clima com a cidade de Bordéus, na França. As mudas vieram de lá. Esse estudo teve duração de 10 anos, mas na primeira colheita em 2012 já teve uma publicação. O plantio envolveu dez variedades de uva”, lembra Oliveira.

Segundo a empreendedora, após o fim do estudo, o acordo era de que a estrutura e produção ficariam para a família. Mas, antes disso, ela e a irmã já tinham se apaixonado pela área ao observar o desenvolvimento das uvas no local.

“Não fazia parte do nosso mundo, mas fomos acompanhando tudo ao longo desses dez anos e não teve jeito. Resolvemos apostar na nossa vinícola e reunimos toda a família, que segue nos apoiando. Todo mundo ajuda e está envolvido em alguma etapa do processos”, diz.

Por conta das suas experiências como administradora e contadora, Oliveira explica que fica à frente da maior parte das etapas de produção do negócio, enquanto Nunes concilia as responsabilidades da vinícola com a atuação como enfermeira. “Nos apaixonamos pelas uvas. Sem dúvidas, elas escolheram a gente”, reitera Nunes.

Após a decisão de apostar na vinícola, as irmãs buscaram consultorias especializadas para adquirir conhecimento e impulsionar o negócio, desde o plantio à fabricação.

O primeiro passo foi aproveitar o plantio realizado durante o estudo e, em seguida, a adaptação de outros espaços do sítio para os processos de produção das bebidas. O montante aplicado foi de cerca de R$ 50 mil.

Produção dos vinhos

Atualmente, a vinícola possui oito variedades de uvas, entre elas duas brancas Moscato e Sauvignon Blanc, e seis tintas Malbec, Syrah, Pinot Noir, Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Os vinhos custam a partir de R$ 70 e podem ser adquiridos na loja física e de forma online. No momento, elas também distribuem os produtos para mais de dez estabelecimentos da região, a exemplo de restaurantes. “Temos duas colheitas anuais e sete rótulos fixos, além de outros que conseguimos produzir esporadicamente”, afirma Oliveira.

A empresa ainda possui no catálogo outras bebidas e produtos, como licores, sucos, chopes e geleias. “Temos o licor de gengibre, que é uma receita da nossa mãe e é muito procurado. Estamos com fila de espera no momento”, diz.

Enoturismo

De olho na expansão e aproveitamento de outras frentes do negócio, as irmãs resolveram apostar no enoturismo, com visitas guiadas e eventos ao ar livre. Os pacotes custam a partir de R$ 130 e oferecem experiências personalizadas com bebidas e comidas. O funcionamento é de quarta-feira a domingo e também em feriados.

O espaço ainda conta com um restaurante, uma loja e a Capela Santa Maria do Ouro. O espaço religioso, que celebra casamentos e batizados, foi construído em 2015 pela própria família.

“Começamos com as uvas, com o primeiro plantio. Depois disso, as coisas foram acontecendo e fomos entendendo as demandas e investindo no negócio. Percebemos o interesse pelas visitas quando começamos a divulgação e comercialização dos vinhos. Várias pessoas já iam lá para conhecer o plantio”, afirma.

No início de fevereiro de 2025, as empreendedoras finalizaram a construção de um espaço voltado para a recepção dos visitantes e clientes. A ideia é ampliar a oferta de experiências voltadas para o enoturismo. Hoje, a média é de 700 a 900 visitantes por mês.

“Temos público do estado e também de outras regiões do Brasil. Recebemos pessoas apaixonadas por vinho e que gostam de conhecer mais da produção. Já tivemos visitantes de outros países como Argentina, Itália, Portugal, França e Colômbia”, pontua Oliveira.

Embora haja o desejo de ampliar o negócio, Nunes diz que o movimento é pensado com cautela e reafirma o foco na produção dos vinhos. Ela ressalta que o objetivo é não perder a essência familiar e acolhedora mantida na vinícola.

“Somos uma vinícola boutique, nossa proposta realmente não é virar uma mega vinícola. Pretendemos fazer uma expansão para conseguirmos produzir os vinhos necessários para o nosso negócio e sempre focar em melhorias no processo e na qualidade do que estamos oferecendo”, pontua.

Deixe um comentário