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Casal de médicos transforma potencial da região em negócio de cafés especiais com lavouras orgânicas na Chapada Diamantina

por centralnoticia

As características naturais da Chapada Diamantina têm transformado a região em um território de destaque na produção de cafés especiais da Bahia. Em Ibicoara, esse potencial inspira a Macheli Café, marca fundada em janeiro de 2024 pelos médicos neurologistas Marcos Sanches e Fernanda Macheli, que aposta no cultivo orgânico e no controle de toda a cadeia produtiva. O negócio faturou cerca de R$ 80 mil em 2025 e projeta crescimento de 20% em 2026.

A inspiração para investir na região veio de Piatã, município reconhecido pela produção de cafés de qualidade diferenciada. Foi ao conhecer a cafeicultura local que Sanches identificou oportunidades para desenvolver um negócio associado às particularidades do território e à valorização dos grãos baianos.

“Quando tive a oportunidade de conhecer o café na Chapada Diamantina, na Bahia, vi que a região era nobre e tinha um café especial, principalmente a cidade de Piatã. Aquele terroir [conjunto de características naturais de uma região que influenciam o sabor e a qualidade de um produto agrícola] me chamou muita atenção, assim como o microclima e o potencial que existia para investir”, afirma o fundador.

A altitude elevada, as temperaturas amenas e as variações térmicas ao longo do dia favorecem o cultivo de café em áreas de Piatã e Ibicoara. Essas condições podem contribuir para uma maturação mais lenta dos frutos e influenciar o desenvolvimento de aromas e sabores. Combinados às técnicas de cultivo e processamento, esses fatores ajudam a projetar a Chapada Diamantina no mercado de cafés especiais.

A Macheli Café aposta no cultivo orgânico, na colheita seletiva, na secagem natural dos grãos  – Foto: Reprodução 

Produção orgânica e valorização dos grãos
As lavouras da Macheli Café estão em Ibicoara, enquanto o beneficiamento, a industrialização e o envase ocorrem no povoado de Malhada, em Abaíra, a cerca de 24 quilômetros de distância. A estrutura permite acompanhar as diferentes etapas, desde o cultivo até a preparação do produto final.

“Nós somos produtores de café. Plantamos, beneficiamos e envasamos o próprio café. Trabalhamos produzindo na roça, industrializando e levando um produto de alta qualidade diretamente ao consumidor”, diz Sanches.

A marca trabalha com grãos orgânicos, colheita seletiva, secagem natural e fermentação natural. O portfólio reúne oito produtos, entre eles a linha fermentada Java, catuaí tradicional, meia torra, torra escura e linha gourmet. Os pacotes de 250 gramas são vendidos a partir de R$ 36.

A comercialização ocorre principalmente pelo comércio eletrônico, além da participação em feiras, do envio de microlotes para São Paulo e da presença em cinco pontos de venda na Bahia. O investimento inicial para formalizar a empresa, adquirir maquinário e estruturar a fábrica ficou entre R$ 70 mil e R$ 80 mil. Desde então, os recursos obtidos vêm sendo reinvestidos na ampliação da produção e da área cultivada.

A história da marca também tem raízes familiares: a mãe de Fernanda trabalhou como colhedora de café no interior paulista. Para os próximos anos, os fundadores planejam abrir franquias, exportar e ampliar os canais de venda, mantendo o mercado brasileiro como prioridade.

Fonte: Jornal da Chapada

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