Sexta-feira, 10 de Julho de 2026
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O hábito de apontar a câmera do celular para um QR Code já faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Seja para acessar o cardápio de um restaurante, pagar o estacionamento ou concluir uma compra via Pix, a tecnologia se tornou sinônimo de praticidade. Mas essa confiança também passou a ser explorada por criminosos.

Um dos golpes que mais preocupa especialistas em segurança digital é conhecido como quishing — combinação das palavras QR Code e phishing. Nele, criminosos substituem códigos legítimos por versões falsas capazes de direcionar a vítima para páginas fraudulentas, desviar pagamentos ou até instalar programas maliciosos no celular.

Casos recentes, como a prisão de uma quadrilha suspeita de trocar QR Codes em estabelecimentos comerciais na Bahia, mostram que esse tipo de fraude vem ganhando espaço e exigindo mais atenção de consumidores e comerciantes. Segundo o advogado especialista em Direito Digital e fraudes eletrônicas Afonso Morais, sócio da Pardi e Morais Advogados, o crescimento desse golpe está diretamente ligado à popularização da tecnologia após a pandemia.

"Durante a pandemia, o QR Code ganhou espaço por oferecer praticidade e reduzir o contato físico. Hoje ele está presente em praticamente todos os ambientes, e os criminosos perceberam que as pessoas já escaneiam esses códigos quase automaticamente, sem desconfiar", explica.

Como funciona o golpe

Na maioria das vezes, a fraude é simples. O criminoso imprime um novo QR Code e o cola sobre o original em mesas de restaurantes, parquímetros, placas de estacionamento ou outros locais de grande circulação. Quando a vítima faz a leitura, pode ser levada para um site falso criado para roubar senhas e informações pessoais.

Em outros casos, o código direciona para um Pix cujo destinatário é uma conta controlada pelos golpistas. Há ainda situações mais graves. "Dependendo da intenção do criminoso, o QR Code pode direcionar para a instalação de um malware capaz de assumir o controle do aparelho, acessar aplicativos bancários, capturar senhas, copiar contatos e coletar informações pessoais. Muitas vezes a vítima nem percebe que foi infectada naquele momento", alerta Morais.

Estabelecimentos também precisam ficar atentos

O especialista destaca que restaurantes, bares, estacionamentos, hotéis e organizadores de eventos também devem adotar medidas preventivas, já que a adulteração costuma ser discreta. Uma simples inspeção periódica dos QR Codes expostos ao público, o treinamento dos funcionários e a conferência frequente dos materiais podem reduzir significativamente o risco de fraude. Em alguns casos investigados pelas autoridades, inclusive, funcionários teriam colaborado com criminosos na substituição dos códigos.

Como evitar cair no golpe

  • Antes de escanear qualquer QR Code, alguns cuidados simples podem fazer a diferença:
  • observe se há sinais de sobreposição de adesivos ou alterações no código;
  • confira o endereço eletrônico antes de inserir qualquer informação pessoal;
  • nunca instale aplicativos solicitados após acessar QR Codes de cardápios ou promoções;
  • antes de confirmar um Pix, verifique cuidadosamente o nome e o CNPJ do destinatário;
  • desconfie de QR Codes enviados por mensagens, redes sociais ou promoções inesperadas.

O maior alvo é o comportamento do usuário

Para Afonso Morais, os golpes envolvendo QR Codes mostram que a segurança digital depende cada vez mais da atenção das pessoas. "Hoje, o maior alvo dos criminosos não é a tecnologia, mas o comportamento do usuário. Um simples adesivo pode ser suficiente para provocar um prejuízo financeiro ou até permitir a invasão completa de um celular. Antes de escanear qualquer QR Code, vale a pena gastar alguns segundos conferindo se aquele código realmente é legítimo. Esse cuidado pode evitar grandes transtornos", conclui.

Fonte: Correio



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