Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2025
BRASIL

Foto: Marcelo Camargo- Agência Brasil

Os brasileiros estão cansados, trabalhando demais, frustrados e querendo uma vida mais flexível. E esse sentimento vai ser um dos nortes do debate eleitoral de 2026.

Mais especificamente, o fim da escala 6x1 e a flexibilização da jornada serão temas muito presentes no próximo ano, segundo o cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador do instituto de pesquisas Quaest.

O governo federal tem feito esforços para demonstrar apoio à ideia do fim da escala — em declaração feita no dia 02 de dezembro, por exemplo, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, afirmou que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem "compromisso em defesa do fim da jornada de trabalho 6x1 sem redução de salário".

As conclusões de Nunes foram baseadas em uma pesquisa realizada com 10 mil brasileiros entre novembro e dezembro de 2023, encomendada pela TV Globo. O resultado desse levantamento está no livro O Brasil no Espelho - Um guia para entender o Brasil e os brasileiros (editora Globo Livros), um raio-x do brasileiro contemporâneo.

Na obra, Nunes classifica os brasileiros em nove perfis identitários, com valores, visões e preferências políticas distintas. São eles: conservadores cristãos (27% dos brasileiros), dependentes do Estado (23%), pertencentes ao agro (13%), os progressistas (11%), militantes de esquerda (7%), empresários (6%), liberais sociais (5%), empreendedores individuais (5%) e os que se identificam com a extrema direita (3%).

A partir desses perfis, Nunes destrincha valores e anseios distintos da população brasileira.

Mesmo em um Brasil polarizado, há espaço para valores em comum, como o apreço pela fé e pela família, que não está necessariamente ligada a graus de parentesco, defende Nunes.

"O que define família para o brasileiro é o amor, mais do que o laço sanguíneo", disse Nunes, em entrevista à BBC News Brasil. "Acho isso muito importante para explicar aquilo que nos une, independentemente da visão de mundo que a gente tem."

Para Nunes, o fim da escala 6x1 e a flexibilização do trabalho serão pautas centrais no debate eleitoral – Foto: Reprodução

Além dos perfis sociais, o estudo revela as diferenças de valores e percepções em relação ao gênero. As mulheres, segundo Nunes, são mais progressistas que os homens. E precisam ter "coragem ao quadrado".

"Coragem para andar na rua e vivenciar a violência, mas também coragem para enfrentar os desafios e as mudanças do mercado de trabalho do mundo público."

Já os homens precisam ser sinônimo de força, poder e proteção, diz.

Em ambos os casos, um ponto em comum: quase metade dos brasileiros está desinformada. Para chegar a essa conclusão, a pesquisa fez quatro perguntas sobre notícias factuais. "42% dos brasileiros não acertaram nenhuma dessas quatro questões, quase metade dos brasileiros não tinha ideia do que estava acontecendo à sua volta".

"Mas a segunda questão é mais importante do que essa, porque perguntei para todos esses quase 10 mil brasileiros quantas dessas perguntas eles achavam que tinham acertado. E 70% dos brasileiros superestima o que sabe", conta.

"Ou seja, nós estamos falando de uma população que vai para o embate público, que vai para o debate sobre política, sobre economia, sobre saúde pública, achando que sabe mais do que sabe."

Fonte: Da BBC News Brasil em São Paulo



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