Casimiro Miguel, da CazéTV (Foto: Divulgação)
A CazéTV pode ficar sem os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030, que será disputada na Espanha, em Portugal e no Marrocos.
A Fifa supostamente estaria demonstrando desconforto com a estrutura da LiveMode, empresa dona do canal de streaming, que negocia simultaneamente a compra e a venda de direitos de transmissão e compartilha investidores com a FFU (Futebol Forte União), uma das organizações ligadas ao futebol de clubes no país, segundo informações do portal Notícias da TV.
Em conversas durante a Copa América, nos Estados Unidos, membros da Fifa têm demonstrado desconforto com a situação, segundo fontes que acompanham diretamente o caso.
A entidade máxima do futebol vê um claro conflito de interesses entre detentor (FFU), comprador e vendedor (LiveMode), e exibidor (CazéTV) de direitos esportivos e promete dificultar as negociações para a próxima Copa, já em andamento.
Investidores em comum criam nó
A CazéTV, a LiveMode e a Futebol Forte União se cruzam por meio da brasileira XP Investimentos e da General Atlantic, empresa norte-americana de capital de risco.
Em 2023, a General Atlantic e a XP lideraram um consórcio que investiu R$ 2,6 bilhões para comprar 20% dos direitos comerciais dos clubes da FFU (então LFU, Liga Forte União) por 50 anos.
Seis meses depois, em abril de 2024, a General Atlantic e a XP anunciaram investimentos na LiveMode, que é dona da CazéTV. Os valores não foram revelados, mas a participação seria minoritária. Os principais sócios da LiveMode continuariam sendo Edgar Diniz e Sérgio Lopes, além de Casimiro Miguel.
A FFU representa Corinthians, Fluminense, Internacional, Vasco e mais 31 agremiações. A LiveMode teve papel decisivo na montagem da FFU e é sua agência exclusiva, responsável por toda a negociação e a administração dos direitos de transmissão.
Disputa política no futebol brasileiro
Além disso, há um fator político que pode pesar muito contra a CazéTV: a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) lançou neste ano um projeto para viabilizar uma única liga nacional de futebol a partir de 2030, unindo os clubes hoje representados pela FFU e pela Libra (Liga Brasil, que conta com Flamengo, Palmeiras e São Paulo, entre outros).
Caso a candidatura se concretize, será a primeira vez que Silvia Abravanel se candidata a um cargo político (Foto: Divulgação)
Eleições 2026
Ou seja, existe também um conflito de interesses entre a FFU e a Liga Futebol no Brasil que a CBF encampou. A Fifa, por motivos óbvios, tem um lado nessa disputa: o da CBF, uma de suas filiadas mais importantes.
Possíveis exigências da Fifa
A Fifa, segundo as conversas nos Estados Unidos, poderia dificultar a vida da LiveMode ao exigir, por exemplo, que ela assuma apenas um papel, como o de comprador ou exibidor. Ou ao condicionar uma parceria pela Copa de 2030 à saída dos investidores General Atlantic e XP, desvinculando-se da FFU.
Seria uma medida muito dura. A agência se orgulha de ter conduzido ‘as negociações históricas dos direitos de mídia do Brasileirão para o ciclo 2025-2029, resultando em contratos com Grupo Globo, YouTube/CazéTV, Record e Amazon Prime Video’, o que ‘gerou um aumento de 110% na receita anual, passando de R$ 800 milhões para R$ 1,7 bilhão por temporada, com projeção de R$ 2,2 bilhões até 2029’.
Como a Copa chegou à CazéTV
Todo esse processo foi acompanhado pela Fifa nos últimos anos. A CazéTV virou o que é hoje graças a uma necessidade da entidade máxima do futebol.
Em 2020, durante a pandemia do coronavírus, a Globo abriu uma disputa judicial com a Fifa para renegociar os termos do contrato que havia assinado em 2013, pelo qual detinha todos os direitos das Copas até 2030.
Em 2022, a emissora fechou um acordo com a Fifa em que abriu mão da exclusividade no digital. Isso abriu caminho para que a LiveMode e Casimiro Miguel comprassem a Copa do Mundo do Catar por apenas US$ 3 milhões (R$ 15,5 milhões) e a transmitissem em um canal no YouTube, o que se revelou um excelente negócio.
Com o acordo, a Globo reduziu de US$ 90 milhões (R$ 464 milhões) para cerca de US$ 40 milhões (R$ 206 milhões) os desembolsos anuais com os direitos negociados pela entidade. Mas comprou só metade dos jogos da Copa de 2026.
Negociação da Copa de 2026
Novamente, abriu espaço para a LiveMode, que foi contratada pela Fifa em 2024 para vender todos os jogos. A LiveMode negociou parte dos direitos (32 jogos) para a N Sports e o SBT. E comprou ela mesma todas as 104 partidas para exibição na CazéTV em território brasileiro.
Pela primeira vez, a Globo está tendo um concorrente forte nas transmissões da Copa. O jogo do Brasil contra o Haiti, na última sexta (19), foi visto durante pelo menos um minuto por 51 milhões de pessoas, somando TV Globo, SporTV e Ge TV. Já a transmissão da CazéTV chegou a ser sintonizada por 37,4 milhões de aparelhos, 16,1 milhões deles simultaneamente no momento de pico.
Fonte: BPMoney
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